Conferência encerra com polêmica sobre raça e cor

Cambridge (Estados Unidos)– Duas mesas redondas sobre Raça marcaram a programação científica de encerramento da conferência multinacional Negros na América Latina, realizada de 27-29, sob a promoção doInstituto Du Bois, no Campus da Universidade de Harvard. As mesas foram bastante concorridas e o auditório de 200 lugares ficou lotado com pessoas buscando por assentos adicionais.

A primeira mesa foi coordenada pelo professor estadunidense J.Lorand Matory(foto), diretor do Centro de Pesquisas Africanas e Afro-americanas da Duke University (Durham, NC), um dos consolidadores da teoria da África como nação transatlântica. Transnacionalismo, transculturalismo e outros conceitos foram usados para entender aspectos cada vez mais presentes em sociedades modernas e multiculturais, formadas por pessoas de várias nacionalidades, culturas e cores da pele.

E, a identidade afro-latina como uma realidade e possibilidade de elo entre os povos das Américas, num momento em que a ciência considera superado a existência de várias raças. Idéia que levantou grande polêmica, com a defesa de alguns sobre a perduração da existência do conceito social de raça – “quem é ou pode ser considerado  negro na sociedade”.

As palavras de encerramento da programação científica do evento ficaram a cargo do professor Franklin Knight, nascido na Jamaica e radicado nos Estados Unidos, responsável pelo implantação do Programa de História e Cultura Atlântica na John Hopkins University, que acrescentou ser mais importante ler o “contexto” e a reação das pessoas diante das diversas matizes da cor da pele.

Em seguida o professor Louis Gates apresentou o vídeo Black in Latin America produzido pelo Instituto Du Bois, que teve o trailer exibido. O evento encerrou hoje com a performance – cânticos coreografados – do grupo Kuumba, constituído por alunos da Harvard. Kuumba é uma palavra na língua swahili e significa criar.

Brasil – O Brasil participou da Conferência com um painel de historiadores com trabalhos sobre o passado escravagista e abolicionista, o que causou incômodo a alguns participantes que esperavam ouvir dos conferencistas brasileiros, experiências e avanços do país em democracia racial, considerando que o Brasil é a mais emergente nação na América Latina em adoção de políticas públicas de ações afirmativas.

Participaram do painel brasileiro os professores Junia Furtado (UFMG), Wlamyra Albuquerque e João José Reis (ambos da UFBa). Em entrevista a alaiONline, o historiador João Reis (UFBA) declarou que a desigualdade entre negros e brancos no Brasil ainda é muito grande e o débito histórico também. E se posicionou como um defensor das políticas de ações afirmativas, atualmente ameaçadas por um recurso impetrado por um senador dopartido Democrata no Supremo Tribunal Federal alegando inconstitucionalidade.

Reis citou como avanço, as políticas de ações afirmativas na área da educação – especialmente as cotas nas universidades públicas, e a obrigatoriedade através de lei, de introdução das disciplinas Historia da África e Afro-brasileira no ensino fundamental. Reis também declarou que outras áreas precisam também avançar, como a econômica, com a concessão de incentivos fiscais para afro-empresas. “E também há necessidade de maior pressão sobre a mídia para promover uma imagem positiva sobre o negro, dentre outras”, disse.

Participaram da cobertura do evento a jornalista Danila de Jesus e Lys Silva como participantes do Programa de Intercâmbio de Informação da ALAI. | Por alaiONline.

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