Repressão a manifestação em Angola origina uma morte e quase 300 prisões

Luanda (Angola) – Duzentos e noventa e dois cidadãos que participavam sábado numa manifestação convocada pelo partido Unita e outros partidos da oposição ao governo do presidente José Eduardo dos Santos foram detidos pela Polícia Nacional.

Segundo o porta-voz da Polícia Nacional, Aristófanes dos Santos, os detidos, após identificação e “devido tratamento”, foram postos em liberdade, informa a Angop.

Durante a manifestação foram apreendidas 13 viaturas, 11 baldes de cola branca, 49 camisolas, 951 panfletos com propaganda ofensiva, duas escadas e igual número de máquinas fotográficas.

O subcomissário Aristófanes dos Santos informou ainda que na madrugada do dia 23 de Novembro, por volta das 01h30, registou-se a violação do perímetro de segurança do Palácio Presidencial, na Rua do Povo, por um grupo de oito elementos afectos a CASA-CE, que foram detidos quando procediam à afixação indevida de cartazes “de propaganda subversiva de carácter injurioso ao Estado e aos seus dirigentes.”

Os ativistas, segundo a Polícia, foram “prontamente neutralizados por uma patrulha da Guarnição do Palácio Presidencial, resultando na sua detenção.”

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Entretanto, durante a transferência do referido grupo para o comando da Unidade da Segurança Presidencial (USP), a fim de ser presente ao oficial em serviço que os encaminharia para a polícia, “um dos elementos do grupo de nome Manuel Hilberto de Carvalho Ganga, incitado pelos seus companheiros, intentou a fuga, saltando da viatura e, em reacção, um efectivo da Guarnição fez um disparo atingindo o infeliz, que posteriormente veio a falecer no Hospital Josina Machel, não obstante a pronta assistência médica que lhe foi prestada”, segundo a Angop.

“O Comando-Geral da Polícia Nacional lamenta este infausto incidente e apela ao bom senso dos partidos políticos e à população em geral, no sentido de todos contribuírem para um ambiente de paz, harmonia e segurança, “expressou o oficial comissário.

O porta-voz da polícia referiu que o comunicado do Ministério do Interior, datado de 22 de Novembro, alertou os partidos políticos a não realizarem manifestações de carácter político no dia 23 do mês em curso, por não estarem reunidas as condições de segurança ideais ao livre exercício do direito de liberdade e de manifestação previstos no artigo 47º da Constituição da República.

Ainda assim, frisou, “o partido Unita e a CASA-CE, deliberadamente, decidiram realizar a manifestação que haviam programado em todo o território nacional, em clara desobediência às recomendações do Ministério do Interior”.

Aristófanes dos Santos refutou, entretanto, acusações segundo as quais a corporação teria utilizado excesso da força durante a manifestação. “Não houve necessidade extrema de utilização da força excessiva”. | Fonte: Africa21

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