Sepromi apresenta projetos para Revolta de Búzios

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Salvador (Brasil) – “Quem primeiro escreveu neste País sobre liberdade, igualdade racial e fraternidade foram os jovens baianos que participaram da Revolta dos Búzios, que foram mortos por lutar por ideais que visavam o bem comum do povo brasileiro. Acabaram enforcados em praça pública, mas deixaram uma mensagem de paz e amor, sentimentos que estão no coração dos baianos”.

A declaração do presidente do Olodum, João Jorge, resumiu o sentimento dos convidados que estiveram na apresentação dos  dez projetos selecionados no Edital Agosto da Igualdade, na noite desta segunda-feira, em evento ocorrido no Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, no Centro Histórico.

Iniciativa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi-Ba), o edital Agosto da Igualdade contemplou, pelo segundo ano consecutivo, entidades culturais com verba para a promoção e fortalecimento da memória da Revolta dos Búzios.

Estiveram no palco para falar sobre o evento o médico, poeta e compositor José Carlos Capinam; a presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Vilma Reis; o presidente do Ilê Ayê Antônio Carlos (Vovô); a coordenadora do Centro de Cultura Popular e Identitária (CCPI) Arany Santana; o presidente do Olodum João Jorge; a chefe de gabinete da Fundação Palmares, Marta Rosa; além do secretário de Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, e da coordenadora-executiva de Promoção da Igualdade Racial, Trícia Calmon. A solenidade foi seguida de coquetel para os convidados.

Para a socióloga Vilma Reis, foi honroso para todos apresentar os projetos no primeiro Museu da Cultura Afro-brasileira do Brasil.  “E isso não é uma mera coincidência celebrar os heróis dos Búzios nesse espaço. É uma conquista. Os editais, mesmo com pouca verba, conseguem cumprir sua função pedagógica e fazer com que nossa linguagem seja decifrada. E conseguem mostrar que somos maioria, e não minoria, como querem dizer. Nós somos o Brasil”, afirmou.

A coordenadora de Promoção da Igualdade Racial, Trícia Calmon, reforçou a importância do Edital Agosto da Igualdade para reafirmar a história do Brasil e do povo brasileiro. “É uma iniciativa que precisa ser vista não como a história do negro no Brasil, mas como a história do Brasil. Agradeço a todos da Sepromi que participaram desse projeto”, disse.

Sinergia – A sinergia entre o CDCN e a Sepromi foi citada pelo secretário Elias Sampaio como um dos motivos para a realização de trabalhos com responsabilidade e bons resultados.  O secretário contou ainda sobre o surgimento do Edital e lembrou está nos planos da secretaria e do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira manter uma exposição permanente no espaço sobre a Revolta dos Búzios.

“O Agosto da Igualdade surgiu de conversas e passou a ser púbnlico em novembro de 2011, quando fizemos a ligação entre Zumbi dos Palmares e a Revolta”, comentou. Segundo o secretário, as campanhas realizadas pela Sepromi não são caras e tem um retorno satisfatório. “E isso é muito importante. Conseguimos ter retorno e nos ver refletidos com ações bem feitas e com bom retorno”, acrescentou.

O investimento da Sepromi  foi de R$ 250 mil destinados às dez entidades culturais que realizarão atividades educacionais, palestras, oficinas artísticas, registros e publicações sobre a Revolta dos Búzios. Movimento de extrema importância na luta pela Independência do Brasil e pela igualdade racial, a Revolta foi liderada por quatro baianos, reconhecidos como heróis nacionais pela Presidência da República em 2011.

 O Edital contemplou duas modalidades: Registro e Memória (Vídeo documentário, Teatro, CD áudio, Exposição Temática e Publicação), com produção de três entidades. Na modalidade Formação serão realizados cursos, seminários e oficinas por sete entidades.

 Revolta dos Búzios – Conhecida também como Conjuração Baiana e Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício), a Revolta dos Búzios foi um movimento de caráter emancipacionista e popular, ocorrido no século XVIII.

Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma república na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais ideias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e pela distribuição em muros e casas dos panfletos elaborados pelo médico e filósofo Cipriano Barata. Lideraram também soldado Lucas Dantas Amorim Torres e o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino e João de Deus Nascimento. Capturados em  de novembro de 1799,  os quatro líderes  foram enforcados em praça pública, para que servissem de exemplo.

Veja a lista das entidades e seus respectivos projetos selecionados.

Salvador:

·         Associação Nacional das Baianas de Acarajé e Vendedoras de Mingau (Abam): oficina sobre escravagismo, colônia e Revolta dos Búzios.

·         Associação Carnavalesca Bloco Olodum: Seminário Búzios: 215 anos da luta por Igualdade no Brasil

·         Associação sociocultural Afro Mangangá: produção do CD “Capoeira das antigas – no eco da Revolta dos Búzios”.

·         Grupo Afro e Carnavalesco Jogo de Ifá: “Ao  Gosto da igualdade: A Revolta dos Búzios de 1798 até hoje-Seminário Artístico e Cultural”

·         Instituto Sócio Cultural e Carnavalesco Ibásòrê YIÂ – Blocão da Liberdade: registro com o tema “Negro na pele preto nas letras- Revolta dos Búzios” .

·         Instituto Conexão Tribal (ICT), projeto na modalidade registro ‘Canto dos Alfaiates’.

 Demais municípios

·         PASPAS – Profissionais da área de saúde Promovendo Ações Sociais (Teixeira de Freitas): Seminário Agosto Livre 2ª Edição

·         Associação Cultural e Social Flor do Serinhaém (Ituberá): Formação de Lideranças voltada para adolescentes quilombolas.

·         OPARA – Organização Popular de Articulação e Assessoria (Juazeiro): Oficinas de Formação : Búzios nos São Franciscos

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